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20.09.2012

Terça-feira, 20.11.12

Solto os braços ao longo do corpo, sem consciência. Consciencializo-me da posição dos meus braços e das minhas mãos. Penso que não ganho nada para a sessão em estar na mesma posição de ontem. Penso em sentar-me. Visualizo-me sentado. Censuro-me por este pensamento, pois irá interferir com a “viagem” dos outros. Faço uma comparação entre ficar como estou e sentar-me. Sintetizo o pensamento, de forma a encontrar uma solução justa, que não choque e que não me choque. Penso em agarrar o pulso esquerdo com a mão direita. Recordo-me que tenho ultimamente tenho tendência a estar nesta posição. Visualizo-me (de fora) com as mãos nesta posição. Descubro que nessa visualização, a minha anca torce sempre para o lado direito, ficando a perna esquerda como apoio. Decido agarrar o pulso esquerdo com a mão direita. Sinto o meu corpo desequilibrado, sinto o meu peito fechado por causa das mãos. Solto as mãos sem consciência. Ganho consciência de que voltei à posição inicial e estou muito mais confortável.

Sinto o suor a escorrer da minha cabeça. Visualizo a minha cabeça toda molhada. Recorda-me uma imagem do Ronaldo. Censuro-me por ter tido esta imagem. Sinto uma gota de suor que caiu do cabelo e “aterrou” na parte de trás do pescoço, decaído para a esquerda. Visualizo esta gota a cair, como a observar de fora. Consciencializo-me do seguinte: após as “coisas” ocorrerem, o cérebro constrói uma imagem do que terá sido, nunca é em directo. Volto a sentir o suor. Visualizo o Jorge Jesus no passado domingo, no banco do Benfica, todo encharcado. Penso que ele deve ter sentido a cabeça e o cabelo como eu estou a sentir agora. A Lucília fungou. Penso que a palavra “fungou” não é bonita. Procuro um sinónimo. Penso na expressão “respirou fundo”. Penso que não é a mesma coisa. Associo o fungar da Lucília ao pensamento anterior do Jorge Jesus que esteva a ter. Imagino que a Lucília estava a “mandar calar” as ideias absurdas que estava a ter. Tenho vontade de sorrir. Sinto a minha cara tensa. Descontraio a cara. Sinto o meu corpo desequilibrado. Penso em formular uma frase que reflicta a sensação que estou a sentir na perna. Formalizo a expressão “sinto…” Em simultâneo à visualização/recordação, expresso para mim mesmo:” … os glúteos da frente” e concluo com “tensos”. Consciencializo-me desta simultaneidade que acabei de descrever. Afirmo a mim mesmo para não me esquecer.

Continuo a sentir desequilíbrio. Tento contrair a coxa direita. Reparo que não está a descontrair. Decido mudar a minha base de sustentação para a perna esquerda. Efectuo essa transferência. Sinto os dedos do pé esquerdo devido ao peso. Afasto o mais possível os dedos dos pés. Associo esse movimento às garras de uma águia. A Lucília fungou outra vez. Sinto uma sensação de alegria (rir para dentro?) pois, por coincidência, ela volta a fungar quando estou a ter pensamentos parvos. Penso que ela tem razão. Questiono-me o porquê de tantas referências na minha cabeça ao Benfica. Consciencializo-me que gosto de futebol, mas não assim tanto. Volto a sorrir por dentro. A Lucília funga uma terceira vez. Penso que se confirma a minha teoria.

Decido “refocar“. Questiono-me qual a melhor forma. Recordo a sessão do dia anterior. Recordo-me que o que funcionava melhor era respirar fundo. Respiro fundo. Sinto toda a minha caixa torácica. Concentro-me na audição. Ao dar atenção às orelhas, sinto um arrepio de frio. Sinto uma aragem nas orelhas. Reparo que o resto do meu corpo acompanha essa aragem num movimento. Recordo para mim mesmo para não me esquecer deste aspecto. Ouço o autocarro. Reparo que não está a chover. Penso que, ao contrário de ontem, não está a chover. Recordo-me do Mário. Penso que ainda não o ouvi hoje. Reformulo o verbo da frase anterior para senti. Repito para mim mesmo a frase: “Ainda não senti o Mário hoje”.

Sinto uma ansiedade. Associo essa ansiedade a não saber o que mais percepcionar. Estimulo-me a ter ideias. Penso que o pior que podia fazer era abrir os olhos. Recordo-me do Alexandre no Nano T, indicando: “quando decidires uma partícula, faz outra!”. Concluo que, se não quero abrir os olhos, então deve ser isso mesmo que devo fazer. Abro os olhos. A Lucília tem uma camisola preta. Reparo que a camisola preta da Lucília destaca-se na parede de fundo branca. Ela olha para mim. Ao me sentir observado, a minha concentração vai para a minha boca. Consciencializo-me que tenho a boca tensa, semi-aberta para respirar. Recordo-me que preciso de ter a boca aberta para respirar. Consciencializo-me que a Lucília continua a olhar para mim. Decido não sorrir. Descontraio a boca. Reparo que a Lucília virou a cabeça para observar outra coisa. Tento calcular o que ela estará a observar. Reparo que quando estou a observá-la, deixo de estar a olhar/observar o que se passa em mim mesmo. Penso que esta seria uma bela forma de ocupar o resto da sessão. Censuro-me em tom irónico: “és mesmo cá um preguiçoso!” A Lucília funga. Sorrio. Sinto o sorriso na minha face. Censuro-me por exteriorizar o meu pensamento. Absolvo-me rapidamente.

Repentinamente, sinto comichão na fossa nasal esquerda. Pressinto um espirro. Sinto a aproximação do movimento físico do espirro. Antecipo que o espirro vá interferir no trabalho dos outros. Receio assusta-los. A sensação do espirro aumenta. Penso na minha cabeça a contagem “1,2,3”. Quando sinto que estou a chegar ao 1 de 3 passos do espirro, decido esticar o indicador da mão direita, indicando o número um. Após fazer esse movimento… a sensação de espirro desaparece imediatamente. Censuro-me Penso que tenho de espirrar quanto antes. Recordo-me do truque de olhar para a luz. Tento recordar-me com quem aprendi isto da luz ao mesmo tempo que olho para a claridade vinda da janela. Chego à conclusão que não me recordo quem foi. Fixo a luz da janela e da parede no fundo, elevando o nível do meu olhar. Espirro. Sinto o meu corpo no movimento. Censuro-me por não ter deixado o corpo solto como no dia anterior. Recordo a voz do Mário ontem a ler essa observação. Volto à posição base, ou seja, antes do espirro. Decido voltar a fechar os olhos. Censuro-me por ter optado estar de olhos abertos. Censuro-me por me estar a censurar.

Volto a respirar fundo. Volto a pensar que é aquilo que mais funciona para me focar. Reparo novamente que não tenho o centro de gravidade definido. Sinto o meu corpo em movimento constante de busca desse centro. Associo essa visualização aos bonecos da feira popular, aos “zés-sempre-em-pé”. Sorrio internamente por achar estúpida a imagem. A Lucília funga. Penso “Lá está ela!” Volto a abrir os olhos. A Lucília está a olhar lá para fora. Não consigo ver o Mário. Decido olhar para o Mário. Decido virar a minha cabeça na sua direcção. Apercebo-me que ele tem os olhos abertos. Penso que se temos os três os olhos abertos, isto deve estar para acabar. Noto que o Mário também tem o centro de gravidade em movimento. Decido imitar o movimento dele. Quando ele vira a cabeça, faço o mesmo. Decido “disfarçar” sempre que ele olhar para mim. Continuo a reproduzir o seu movimento utilizando a visão periférica. A Lucília já reparou no que eu estou a fazer. Agora foi o Mário. Finito!!

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publicado por Filipe Eusébio às 19:59





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